Quantas pessoas vocês conhecem que já agiram de modo suspeito numa dada situação? Ou melhor ainda: quantas pessoas vocês já viram sair com um sorriso no rosto enquanto o restante estava entristecido? De certo, a resposta seria “algumas pessoas”. Este é um comportamento comum do ser humano, fomos, somos ou seremos egoístas em algum ponto da vida. Mas a percepção de que isto é mais frequente hoje em dia não é uma mera ilusão. Pessoas que sim, não vêem mal algum pensar apenas em si mesmos e a frase que mais escapa pelas suas respectivas bocas é: “Se eu não pensar em mim, quem irá?”. De um certo ponto, existe uma certa lógica nisso. Somos impelidos, desde o século passado, acredito eu, a incorporar comportamentos que nós façam sentir especiais em detrimento dos outros. Um exemplo: observe em um ônibus, você acompanha com o olhar uma pessoa embarcando. Ela paga a tarifa ao cobrador e aonde tu acha que ela vai sentar? Ao lado de uma pessoa ou em um lugar vazio? Se tu embarcasse no ônibus, sentarias aonde? Hehehhehe, escolheria um lugar só seu, não? A sociedade está cada vez mais individualista e isso reflete no nosso modo de vida. O mercado já enxergou esta tendência há muito tempo. Hoje, os carros são menores, o número de produtos em supermercados que são empacotados em porções indivíduais cresce. Mas como uma pessoa egoísta enxerga as coisas. Em sua visão, o mundo o serve. A vida é um restaurante, onde todas as pessoas emergem da cozinha em diferentes horários, segurando bandejas e perguntando para você educadamente se você aceitaria aquela oferenda. O verdadeiro egoísta vê assim a forma como as coisas são. Bom, a pergunta ainda está no ar: “Pensar apenas em si mesmo é pensar apenas em si mesmo?” Na minha modesta opinião, não. É ao contrário. A melhor maneira de pensar apenas em si mesmo é pensar nos outros. Hã, mas como isso!? Eu explico…
Vamos pensar nas próprias pessoas e as coisas como recursos. O Ser humano sonha em alcançar, ao longo de sua trajetória, suas metas, sejam elas materiais e/ou sentimentais. Acontece que todo o indivíduo sonha com isso… não apenas você. Ao mesmo passo que, não somos pessoas independentes, somos completamente dependentes uns dos outros em algum grau, por menor que seja, mas somos. Alguém faz o pão comemos no café da manhã, alguém fica até tarde editando o jornal que você talvez tenha lido há cinco minutos atrás. Alguém faz as nossas vestes. Nascemos dependendo de alguém para nos criar. Estes são apenas alguns exemplos que mostram que sozinhos não seríamos capazes de sobreviver. A questão para quem é egóista é: Se você desejar ter tudo ao seu dispor, o que restará para os outros? Ou então, invertendo tudo: Se tu soubesse que não teria nada que tu queiras porque tu não estaria “predestestinado” à tê-las, porque outra pessoa “mais afortunada” teria tudo, que motivação tu terias pra continuar fazendo o que tu faz? Isso soa como uma idéia bobinha quando pensamos nisto em pequena escala. Mas na realidade, esses pensamentos não expressados por uma única mente, mais por várias. Todo mundo quer tudo. Contanto que eu tenha o que eu quero, pouca importa como meu semelhante irá fazer para sobreviver. Estamos sempre competindo e ao invés de cooperar. Nisso não somos diferentes dos nossos queridos irmãos primatas, disputando por bananas. O fato é que o mundo precisa de oportunidades. E nós somos o mundo. Todos nós. Temos de ser capazes de realizar as vontades das pessoas, de propiciar condições que façam as pessoas terem algo. Ajudar as pessoas a conquistar algo é a melhor maneira de ter a nossa oportunidade concretizada também, pois reforçaria a dependência que temos uns com os outros, alimentando os sonhos do próximo. Isso sem contar o fato de ser auxiliado, direta ou indiretamente por outra pessoa que também tenha isso em mente. Ou seja, é uma linha de pensamento onde todos ganham, todos têm uma chance. Outra coisa a considerar é parar para pensar na seguinte indagação: Quem tem tudo é realmente feliz e livre de preocupações? O que vemos hoje não é bem isso. Quem tem muitas posses, no nosso país, por exemplo, está sempre tomando precauções e de certa forma tem sua vida limitada por conta de ter seus pertences materiais e as próprias pessoas de quem gosta sob perigo. É o caso de pessoas ricas transformando suas casas em verdadeiras fortalezas com câmeras, grades, seguranças. Seus familiares não podem se dar ao desfrute de um passeio a hora que bem entenderem por conta dos riscos de serem assaltados, sequestrados ou sofrerem desfechos ainda mais execráveis. Aqui, se jogador de futebol começa a ganhar dinheiro, ele já se preocupa em colocar a família em um lugar seguro para minimizar os problemas. Se bem que, hoje em dia, nem precisa ser rico para correr riscos. Ter casa, carro já é pôr a cabeça à prêmio…
Se você é alguém solidário que faz o que faz para ajudar os outros, de coração mesmo, ótimo, não há nada que eu possa dizer senão agradecer por tornar a vida dos outros melhor. Mas se você não é tão altruísta assim, a mensagem que fica é que, em linhas gerais, realizar o desejo dos outros acena no final das contas, a possibilidade de conseguir aquilo que nós mesmos desejamos. Claro que eu não quero criar aqui uma utopia de bons samaritanos, todos se doando ao máximo. Infelizmente, temos um falha no nosso design que faz com que a gente não seja deste jeito, com raras exceções. Mas encare isso como um exercício.