I. Absolvição (Nascimento – Infância)
Nascemos imperfeitos
porque nascemos sem nenhum conhecimento prévio
Olhamos o mundo com os olhos de primeira vez
Tudo nos encanta, nos fascina
Carentes de atenção
Dependentes de carinho
Queremos aprender tudo, temos pressa
Não escolhemos quem queremos ser,
apenas seguimos a maré…
Espelhamos em quem está em nossa volta
Nossas referências
Incorporamos seus costumes, seus modos
Aprendemos com eles
Coisas boas e ruins
Noções de certo e errado
Aqui somos absolvidos porque apenas coletamos informações,
vivendo o desconhecido
E continuamos imperfeitos…
II. Experimentação (Adolescência – Vida Adulta)
Já não somos marinheiros de primeira viagem
Escolhemos como agir
Apesar de ainda inexperientes,
batalhamos por algo que não sabemos ainda
É tudo meio nebuloso,
mas nos agarramos à teoria
Vemos o mundo como ele realmente é
Imperfeito…
Deficiente…
Mundo que venda os olhos, veda os ouvidos,
mas que as vezes fala demais ao invés de ficar em silêncio
E junto com ele acertamos e erramos
Acertamos…
Descobrimos o amor
Consolidamos amizades
Amparamos quem precisa,
com palavras de conforto
Constituímos família,
nossos próprios filhos
Erramos…
Falamos coisas que não devíamos
Magoamos quem não queríamos
Apostamos em quem não devíamos
Admitimos alguns enganos
e encobrimos outros
Mas aqui temos energias pra consertar o que é necessário
Estamos no centro da balança da imperfeição
e decidimos pra que lado ela vai pender
Podemos fazer a diferença naquilo que escolhemos
Corrigir aquilo que nos equivocamos
E por tentativa e erro prosseguimos
E seguimos imperfeitos…
III. Redenção (Velhice – Morte)
Vivemos com nossas escolhas,
pois marcados com ferro e brasa
está nossa trajetória
Hora da avaliação…
De que forma chegamos até aqui?
Hora da lamentação…
Por que eu não fiz diferente?
Hora da serenidade…
Eu assumo minhas escolhas, minha vida, vamos ver aonde ela me leva agora…
Hora de ensinar…
Usar a longa estrada para instruir aonde os mais jovens não devem pisar
E talvez com isso amenizar nossos pecados
Sentirmos felizes por fazer a felicidade dos outros
E quando a hora chegar, termos a convicção
de que morreremos imperfeitos…